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Postado por
Prashanto em 20/06/2007
A Busca--Osho
EU OUÇO A CANÇÃO DO ROUXINOL.
O SOL ESTÁ MORNO, O VENTO É SUAVE, OS SALGUEIROS VERDEJAM AO LONGO DA COSTA.
Quando você fica sensível, sensível a tudo aquilo que está acontecendo ao seu redor - A CANÇÃO DO ROUXINOL - quando você fica sensível a tudo o que está acontecendo a você e à sua volta, então O SOL ESTÁ MORNO, O VENTO É SUAVE, OS SALGUEIROS VERDEJAM AO LONGO DA COSTA.
A busca religiosa é diferente de uma busca científica. Em uma busca científica, uma investigação, você tem que estar concentrado, de tal forma que esquece o mundo inteiro. Houve casos assim: um cientista estava trabalhando no seu laboratório e a casa pegou fogo, mas ele não notou. Ele teve que ser retirado da casa. Pois estava tão concentrado... A consciência se torna tão estreita que tudo é excluído, focando um só objeto, como um alvo.
Na Índia temos um grande poema épico, o Mahabharata. O Bhagavad Gita é só uma parte dele. Os Pandavas e os Kauravas, primos-irmãos, estavam sendo ensinados por um arqueiro-mestre, Dronacharya. Um dia ele pôs o alvo em uma árvore e perguntou para todos os discípulos o que eles estavam vendo. Alguém disse: "Eu vejo a árvore e o céu e o sol nascendo”. Outro disse: "Eu vejo a árvore, os galhos, os pássaros na árvore". E assim ele prosseguiu.
E então ele perguntou ao principal discípulo, Arjuna: "O que você vê?”
Arjuna disse, "Eu não posso ver nada... só o alvo”.
E Dronacharya disse, "Só você pode ser um grande arqueiro”.
A concentração é um estreitamento da consciência. Uma mente concentrada fica muito insensível a tudo mais.
Isto é meditação: se tornar atento a tudo o que está acontecendo, sem qualquer escolha, atenção sem escolha.
Em tal sensibilidade, como o touro pode se esconder? O touro pode se esconder se você estiver concentrado numa só direção; e há muitas direções nas quais o touro pode se esconder. Mas quando você não está concentrado em qualquer direção, aberto a todas as direções, como o touro pode se esconder? Um sutra bonito! Agora, não há nenhuma possibilidade, porque não há um único canto que esteja fora de sua consciência. Não há nenhum esconderijo.
Na concentração você pode perder. Você fica alerta a uma coisa às custas de mil e uma outras coisas. Na meditação, você está simplesmente atento sem perder nada. Você não deixa nada de lado. Está simplesmente disponível. Se o rouxinol cantar, você está disponível. Se o sol é sentido, tocando seu corpo e você sente o calor, você está disponível. Se o vento passar, você sente isto, você está disponível. Uma criança chorando, uns latidos de cachorro; você está simplesmente atento. Você não tem nenhum propósito.
A concentração é objetiva. A meditação não tem nenhum objetivo. E nesta consciência indiferente a mente desaparece, porque a mente só pode permanecer se a consciência é estreita. Se a consciência for muito ampla, a mente não pode existir. A mente só pode existir com escolha.
Você diz: “Este canto do rouxinol é bonito.” Neste momento, todo o resto é excluído. A mente entrou.
Deixe-me dizer deste modo: a mente é um estado de estreitamento da consciência, fluindo por uma passagem muito estreita, por um túnel. Meditação é apenas estar totalmente aberto, disponível a tudo.
O comentário:
QUANDO A PESSOA OUVE A VOZ, ELA PODE SENTIR SUA ORIGEM. E, ASSIM QUE OS SEIS SENTIDOS SE FUNDEM, O PORTÃO É ATRAVESSADO.
Isto é que é sensibilidade, todos os seus sentidos se fundiram em uma única sensibilidade. Não que você seja olhos, ouvidos e nariz. Não, você é olhos-nariz-ouvidos, tudo junto. Não há nenhum intervalo. Você vê, ouve, toca, cheira e saboreia tudo junto, simultaneamente. Você não escolheu nenhum sentido em particular.
Comumente, todos nós escolhemos. Alguns são orientados pelo olho: eles só vêem, não podem ouvir tão bem. Eles são “cegos” para os sons. Se uma grande música é tocada, eles se sentem inquietos: O que há para se escutar? Se houver algo para ser visto, eles estão prontos. Eles podem desfrutar de uma dança, mas não gostarão de cantar.
Existem os orientados pelos ouvidos, que podem desfrutar o som e cantar, mas seus olhos são insensíveis. E o mesmo com outros sentidos. Cada pessoa dedicou sua energia a um sentido e esse se tornou um fator dominante, ditatorial.
Particularmente, os olhos se tornaram muito importantes, e 80% de sua energia são dedicados aos olhos. Os outros sentidos sofrem muito porque só 20% são deixados para todos os outros sentidos. O olho se tornou um Adolf Hitler. A democracia de seus sentidos está perdida.
É por isso que, sempre que você vê um cego, sente mais compaixão do que por um surdo. Na verdade, o surdo precisa mais de sua compaixão, porque um surdo está completamente eliminado da sociedade. Porque a sociedade humana é basicamente linguagem, toda a comunicação está eliminada. Um homem cego não é afastado tanto da sociedade. Um surdo está em uma situação mais difícil, mas ninguém sente tanta pena dele como de um cego. Por quê? Porque os olhos são 80% da nossa civilização.
É por isso que, se alguém alcança a verdade, dizemos que ele é um grande vidente. Por que vidente? A verdade pode ser ouvida, A verdade pode ser saboreada, a verdade pode ser cheirada. Por que nós o chamamos de grande vidente? Por causa dos olhos. Somos orientados pelos olhos. E este é um estado muito desequilibrado. A cada sentido deve ser dada sua liberdade total, e todos os sentidos deveriam se fundir em uma grande corrente de consciência, de sensibilidade.
Um homem de verdadeira compreensão vive por todos os sentidos; o toque dele é total. Se um homem de verdadeira compreensão toca você, imediatamente você sentirá uma transferência de energia. De repente, você sentirá que algo dentro de você foi despertado; a energia dele tocou sua energia adormecida. Algo surge em você. Se você ouvir a voz de um homem de compreensão, o conteúdo dela é significativa, mas até mesmo a voz é significativa. Algo toca seu coração, algo o acalma. A voz dele o envolve como um cobertor. A voz dele tem calor, não é fria. Tem uma qualidade de música, tem uma poesia.
O sutra diz:
QUANDO A PESSOA OUVE A VOZ, ELA PODE SENTIR SUA ORIGEM. E, ASSIM QUE OS SEIS SENTIDOS SE FUNDEM, O PORTÃO É ATRAVESSADO.
Aqui, o Zen é soberbo. Nenhuma outra religião, nenhum outro desenvolvimento, tocou tão profundamente o caminho correto. Os sentidos deveriam permanecer vivos. Não só isso: seus sentidos deveriam entrar em uma harmonia e um ritmo interno profundo, deveriam se tornar uma orquestra. Só então a verdade pode ser conhecida, só então você pode pegar o touro.
ONDE QUER QUE A PESSOA ENTRE, ELA VÊ A CABEÇA DO TOURO!
E então, quando seus sentidos estão totalmente vivos e se fundindo um ao outro, e você se tornou uma fonte de energia, ONDE QUER QUE A PESSOA ENTRE, ELA VÊ A CABEÇA DO TOURO!
ESTA UNIDADE É COMO O SAL NA ÁGUA...
Sua consciência se move por todos os seus sentidos como o sal na água.
... COMO COR EM CORANTE. MESMO A MENOR COISA NÃO ESTÁ SEPARADA DO SER.
E desta inteireza de sensibilidade surge o ser, o atman, o seu ser autêntico. Crie um ritmo, crie uma harmonia, crie uma orquestra do seu ser. Então, o touro não pode se esconder em nenhum lugar.
EU O AGARRO EM UMA LUTA EXTRAORDINÁRIA.
A luta vai estar lá, porque a mente não vai perder seu poder facilmente. A mente tem sido uma ditadora por tanto tempo; agora você quer que a ditadora desça do trono, é impossível. A mente se acostumou a mandar em você e A tiranizá-lo. Ela fará uma briga dura. Continuará seguindo você, e continuará achando momentos de fraqueza em que poderá dominá-lo novamente.
Eu ouvi uma história muito bonita:
A família estava reunida no jantar. O filho mais velho anunciou que se casaria com a vizinha.
"Mas a família dela não deixou nada para ela”, o pai contestou.
"E ela gasta todo o salário dela", continuou a mãe.
"O que sabe ela sobre futebol americano?" perguntou o irmão mais novo.
"Você já viu uma menina com tantas sardas?" reclamou a irmã.
"Tudo o que ela faz é ler", resmungou o tio.
"E não se veste com o que eu chamaria de bom gosto", gritou a tia.
"Mas ela não se esquece da pintura e do pó", continuou a avó.
"Sim", disse o filho, "mas ela tem uma grande vantagem sobre nós."
"O quê?" perguntaram em coro.
"Não tem família!" respondeu o filho.
A família sempre resiste. Agora, o filho vai se casar; isso significa que outra mulher, uma estranha, vai agora se tornar a pessoa mais importante na vida dele. A família se sente abalada. Nenhuma família comumente, normalmente, aceita tal situação. Ela luta.
Na Índia, o amor não é permitido. O casamento tem que ser organizado pela família. O pai tem que pensar nisso, o tio tem que pensar, os irmãos, a mãe; todo mundo menos a pessoa que está realmente envolvida, que vai se casar. Não se perguntará nada a ele, como se ele não tivesse nenhuma participação. Ele vai viver com esta mulher com quem vai se casar, mas ele não é nem mesmo perguntado. Então, a família não se sente ameaçada; é a própria escolha dela.
Mas se um filho vem e diz: “Eu me apaixonei”, a família inteira se torna hostil. A hostilidade é porque agora uma estranha vai ficar muito importante. A mãe nunca se sentirá à vontade com a nora. Haverá uma disputa e uma luta constante, porque a mãe era suprema até agora, e de repente ela é deposta. Agora, outra mulher, uma estranha, que não fez nada para aquele menino, ficou suprema. Um conflito surge.
O mesmo acontece com a busca interna: a sua mente é a sua família interna. Sempre que você quer fazer algo novo, sempre que você quer se mover no desconhecido, a mente resiste, a mente diz: “Não, isto não é bom.” A mente encontrará mil e uma racionalizações, e vai travar uma luta dura. Isso é natural, então não se preocupe com isso. Teria que ser assim. Mas, se você persistir, você se tornará o mestre. Só a perseverança, a persistência é necessária.
EU O AGARRO EM UMA LUTA EXTRAORDINÁRIA.
Mas, uma vez que você viu o touro, a energia de seu ser, você pode pegá-lo. É claro que vai ser uma luta, porque a mente permaneceu no poder por muito tempo:
SEU GRANDE PODER E DETERMINAÇÃO SÃO INESGOTÁVEIS.
ELE SE LANÇA AO MAIS ALTO PLANALTO
BEM ACIMA DAS NÉVOAS DE NUVENS, OU EM UM DESFILADEIRO IMPENETRÁVEL ELE PAIRA.
E esta energia, este touro, é inesgotável. Às vezes, está no topo de uma colina, em um cume de experiência. Às vezes, em um vale, um desfiladeiro profundo.
Uma vez que você fica sensível ao mundo ao seu redor, sua sensibilidade pode ser virar para o interior, para seu lar interno. É a mesma sensibilidade com que você ouve um rouxinol cantar, com que você sente o calor do sol, com que você cheira a fragrância de uma flor. É a mesma sensibilidade que agora tem que se virar para dentro. Com a mesma sensibilidade, você vai provar você, cheirar você, ver você, tocar você.
Use o mundo como um treinamento para a sensibilidade. Lembre-se sempre: se você puder ficar cada vez mais sensível, tudo vai ser absolutamente certo. Não se torne embotado. Deixe todos os seus sentidos ficarem afiados, o tom afiado, vivo, cheio de energia. E não tenha medo da vida. Se você tiver medo de vida, ficará insensível para que ninguém possa feri-lo.
Muitas pessoas vêm a mim e dizem que gostariam de se apaixonar por alguém, mas não podem porque têm medo de serem rejeitados. Se alguém se aproximar, elas se fecham com medo. Quem sabe, o outro pode criar algum problema. Quem sabe, com o outro um problema pode surgir. É melhor estar triste e só que estar contente com alguém, porque essa felicidade pode trazer perigos.
Deixem-me contar-lhes uma história:
Cansado de estar noivo, um homem decidiu cancelar tudo de uma maneira diplomática.
"Bem", ele disse um dia, "nós não fomos feitos para nos casarmos. Nossos temperamentos são muito diferentes. Estaremos sempre brigando e discutindo."
"Querido", ela disse, " você está enganado. Nós amamos um ao outro como dois pombinhos."
"É sério, meu bem, nós nunca concordaremos, e entre nós sempre haverá atrito."
"Não, seremos como Romeu e Julieta. Eu serei uma esposa perfeita e nós nunca brigaremos."
"Querida, estou dizendo que sempre estaremos discutindo."
"Mas, meu bem, estou dizendo..."
"Viu?", ele gritou, "O que foi que eu disse? Já estamos brigando!"
As pessoas têm medo. Se elas se movem em um relacionamento, elas podem ser rejeitadas. Se elas se movem em qualquer relacionamento, podem não ser adequadas. Se elas se movem em qualquer relacionamento, então a realidade delas aparecerá e as máscaras cairão. Elas têm medo porque o outro pode partir algum dia, então é melhor não se envolver; caso contrário doerá muito. Então, elas ficam insensíveis. Elas se movem de olhos vendados pela vida. E aí elas se perguntam: Onde está Deus? Deus está em todo lugar. Você precisa ser sensível, e você pode ver o touro em qualquer lugar.
Atrás de cada árvore e atrás de cada pedra, o touro está escondido. Toque com carinho e até mesmo a pedra responde, e você poderá sentir o touro nela. Olhe amorosamente para as estrelas e as estrelas respondem; o touro está escondido lá.
O touro é a energia do total. Você é parte disto. Se você estiver vivo e sensível, você pode sentir o todo.
O comentário:
ELE MOROU NA FLORESTA MUITO TEMPO, MAS EU O PEGUEI HOJE! A PAIXÃO PELA PAISAGEM AFETA A DIREÇÃO DELE. ANSIANDO POR GRAMA MAIS DOCE, ELE VAGA PARA LONGE. A MENTE DELE AINDA É TEIMOSA E DESENFREADA. SE EU QUERO QUE ELE SE SUBMETA, TENHO QUE ERGUER MEU CHICOTE.
Agora, há uma dificuldade com a palavra chicote. Normalmente, a associação vem à mente como se você tivesse que ser muito violento, você tem que levar o chicote em suas mãos. Mas no Budismo o chicote não é um símbolo repressivo, não é violento. O chicote é simplesmente a consciência.
Por exemplo: se alguém vem de repente com uma espada para matá-lo, o que acontece? Naquele momento, a mente pára. A espada lampeja em seus olhos, e a mente pára. O momento é tão perigoso que você não pode se dar ao luxo de pensar. De repente, há uma ruptura: a mente não está mais lá, e a não-mente entra.
Em situações perigosas, espontaneamente, a meditação acontece por um único instante. Você voltará novamente, mas acontece de repente. Você está dirigindo um carro e vai haver um acidente; e um momento, só um momento antes do acidente, você se dá conta de que agora ele vai acontecer. Seu freio não está funcionando, ou o carro está derrapando. Naquele momento todos os pensamentos param. De repente, você está em um estado de meditação, acordado, alerta. Este é o significado do chicote.
Em mosteiros Zen, os discípulos meditam e o mestre caminha com uma vara, com o bastão dele. E sempre que vê alguém caindo no sono, bate forte na cabeça dele. Uma pancada súbita... a energia fica alerta, um vislumbre repentino. Algumas vezes o satori aconteceu desse modo. O mestre bateu forte; você estava quase dormindo... tente entender isto. Quando você está quase dormindo, está no limiar. A partir daquele limiar, abrem-se duas portas: por uma porta você entra no sono, por outra porta entra em samadhi. Aquele momento é muito fecundo. Normalmente, você dormirá. É a sua velha rotina. Mas se você estiver no limiar, e se naquele momento você puder estar alerta e atento, sua vida pode ter um vislumbre de satori, samadhi.
Patanjali, nos seus Sutras de Ioga, também diz que o sono profundo é como o samadhi, com uma só diferença: a consciência não está lá. Em samadhi, você está em sono profundo tanto quanto em qualquer sono, mas você está alerta. Todo o mecanismo está adormecido; corpo, mente, ambos estão adormecidos. Mas você está alerta. Aconteceu algumas vezes de um homem sofrer um golpe na cabeça pelo mestre e se iluminar. Este é o chicote do Zen.
E uma vez que você atingiu algo da não-mente, então você pode ver que o que quer que você tenha feito não foi nada comparado ao que você tem. Você sentirá como se não tivesse feito nada, de tão preciosa que é a experiência íntima de encontrar sua própria energia, sua energia vital.
A última coisa: o touro sempre está esperando por você. Esse touro não está em algum lugar fora de você. O touro é sua essência íntima. Entre o touro e você há uma grande parede de mente, de pensamentos. Os pensamentos são os tijolos, tijolos transparentes de vidro. Então, você pode ver através deles e nem mesmo estar ciente de que há uma parede entre você e realidade.
Ouvi dizer que um dia um peixe perguntou ao peixe-rainha em um oceano: “Tenho ouvido falar tanto do oceano, tanto se fala sobre o oceano, mas onde está esse oceano?"
E o peixe-rainha riu e disse: "Você nasceu nesse oceano, você nasceu desse oceano, você vive nesse oceano. Neste exato momento você está nele e ele está em você. E um dia você desaparecerá novamente no oceano."
Mas a pergunta parece pertinente, porque como os peixes podem saber? Porque o oceano sempre esteve lá, nunca desapareceu nem por um instante. Tem estado tão obviamente lá, tão naturalmente lá, e tão transparentemente lá...
Uma coisa é certa: que o peixe, a mente de um peixe, vai ser a última coisa a saber qualquer coisa sobre o oceano. Tão perto, e por isso tão distante. Tão óbvio, e por isso tão escondido. Tão disponível, e por isso não se tem consciência dele. O homem também vive em um oceano de energia. A mesma energia dentro, a mesma energia fora. Você nasce disto, você vive nisto, você se dissolverá nisto. E se você não o sente, não é porque ele está muito longe. Você não o sente porque ele está muito próximo. Você não sente porque nunca deixou de sentir. Ele sempre esteve aí. Apenas torne-se mais sensível.
Escute os rouxinóis mais profundamente. Escute as árvores, a música que o cerca. Escute tudo, olhe para tudo, toque tudo com tanta intensidade e tanta sensibilidade que quando você olhar para qualquer coisa você se tornará os olhos, quando você ouvir qualquer coisa você se tornará os ouvidos, você tocará qualquer coisa e se tornará o toque. E você não estará preso em qualquer sentido. Todos os sentidos se fundem em um. Todos os sentidos se tornam uma sensibilidade... e de repente você percebe que sempre esteve em Deus, você sempre esteve com Deus.
Para mim, todo o treinamento é de como ficar cada vez mais sensível. Outras religiões lhe disseram para ficar insensível, matar e destruir sua sensibilidade. Eu lhe digo para fazer sua vida tão intensa quanto possível, porque, afinal, Deus não está separado da vida. Estar vivo para a vida é estar vivo para Deus. E essa é a única oração; todas as outras orações são de fabricação caseira, artificiais. Sensibilidade é a única oração dada por Deus.
Esteja alerta, atento. Ouça a canção do rouxinol. Permita que o sol o toque e sinta o calor. Deixe a brisa não só passar por você mas atravessar você, para que limpe seu coração. Olhe! OS SALGUEIROS VERDEJAM AO LONGO DA COSTA. AQUI, NENHUM TOURO PODE SE ESCONDER! É impossível para Deus se esconder. Deus não está escondido, mas você vive com vendas nos olhos. Você não é cego! Deus não está escondido! Apenas vendas existem sobre seus olhos... Essas vendas são pensamentos, desejos, idéias, sonhos, ficções. Tudo ficção.
Se você puder abandonar as ficções, se puder renunciar às ficções, subitamente você está na realidade. Assim, eu não lhe peço que renuncie ao mundo, eu lhe peço que renuncie aos sonhos, isso é tudo. Só renuncie àquilo que você não tem. Só renuncie àquilo que não está em suas mãos; você simplesmente imagina que está. Renuncie aos sonhos e a realidade está disponível.
A luta vai ser um pouco dura porque a mente não será convencida facilmente, porque será a morte da mente. De forma que isso também é natural, que a mente resistirá. A morte da mente é a sua vida. E a vida da mente é a sua morte. Se você escolhe a mente, você se suicida no que diz respeito ao seu ser interior. Se você escolhe seu ser, terá que abandonar a mente.
E isso é o que é meditação.
É o bastante por hoje.
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