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Postado por
Prashanto em 16//2007
campos morficos
shalom!
Campos Morfogenéticos
Havia um arquipélago no Pacífico povoado apenas por macacos. Eles se
alimentavam de batatas, que tiravam da terra. Um dia, não se sabe porque, um
desses macacos lavou a batata antes de comer, o que melhorou o sabor do
alimento. Os outros o observaram, intrigados, e aos poucos começaram a
imitá-lo. Quando o centésimo macaco lavou a sua batata, todos os macacos das
outras ilhas começaram a lavar suas batatas antes de comer. E entre as ilhas
não havia nenhuma comunicação aparente.
Essa história (fictícia) exemplifica uma teoria criada pelo fisiologista
inglês Rupert Sheldrake, denominada teoria dos campos morfogenéticos.
Segundo o cientista, os campos mórfogenéticos são estruturas invisíveis que
se estendem no espaço-tempo e moldam a forma e o comportamento de todos os
sistemas do mundo material. Todo átomo, molécula, célula ou organismo que
existe gera um campo organizador invisível e ainda não detectável por
qualquer instrumento, que afeta todas as unidades desse tipo. Assim, sempre
que um membro de uma espécie aprende um comportamento, e esse comportamento
é repetido vezes suficiente, o tal campo (molde) é modificado e a
modificação afeta a espécie por inteiro, mesmo que não haja formas
convencionais de contato entre seus membros. Isso explica porque, no
exemplo, todos os macacos do arquipélago de repente começaram a lavar suas
raízes, sem que houvesse comunicação entre as ilhas.
Mas outros exemplos na natureza - desta vez verdadeiros - ilustram bem uma
organização invisível no comportamento dos animais. Pegue um gato, por
exemplo. Separe-o do convívio com outros gatos poucos dias após o nascimento
(algo infelizmente comum) e crie-o isolado. Ele vai ter todas as
características comportamentais de um gato, as brincadeiras, inclusive o
cacoete de só fazer as necessidades na areia (se tiver areia no lugar,
claro). Quem ensinou isso? Milhares de anos de evolução, dirão os
Darwinistas. Deus, dirão os Criacionistas. Mas nem um nem outro explica a
questão: Quem ensinou isso ao maldito gato que foi criado fora do convívio
dos outros de sua maldita raça milenar?!
Ainda mais extraordinários são os pássaros jardineiros, cujo ninho é uma
obra de arte, feito de palhas e ramos, e que não se esquecem, para encantar
mais a fêmea, de enfeitar com o que se denomina "jóias", sejam ervas ou
flores, ou pedrinhas todas iguais, para atapetar o chão. Quem ensinou isso?
Foi um Deus caprichoso, que estava numa fase mais artistica e deu esse dom
pra esse pássaro e não para os outros? Ou foram seus genes, tão caprichosos
quanto? Será que, baseado tão-somente na sobrevivência e possibilidades de
acasalamento, não seria mais inteligente pra natureza espalhar essa técnica
pra todos os pássaros e outros animais?
A ciência dá um valor muito alto aos genes. É uma verdadeira panacéia: se
não sabemos explicar algo, simplesmente "culpamos" os genes. Exemplo disso é
o processo de diferenciação e especialização celular que caracteriza o
desenvolvimento embrionário. Como explicar que um aglomerado de células
absolutamente iguais, dotadas do mesmo patrimônio genético, dê origem a um
organismo complexo, no qual órgãos diferentes e especializados se formam,
com precisão milimétrica, no lugar certo e no momento adequado? A biologia
reducionista diz que isso se deve à ativação ou inativação de genes
específicos, e que tal fato depende das interações de cada célula com sua
vizinhança (entendendo-se por vizinhança as outras células do aglomerado e o
meio ambiente). Tal formação do embrião acontece com precisão tanto aqui
quanto na China, tanto no frio como no calor, tanto na poluição e radiação
de NY, quanto nos bucólicos campos da Escócia...
A biologia reducionista transformou o DNA numa cartola de mágico, da qual é
possível tirar qualquer coisa. Na vida real, porém, a atuação do DNA é bem
mais modesta. O código genético nele inscrito coordena a síntese das
proteínas, determinando a seqüência exata dos aminoácidos na construção
dessas macro-moléculas. Os genes ditam essa estrutura primária e ponto. "A
maneira como as proteínas se distribuem dentro das células, as células nos
tecidos, os tecidos nos órgãos e os órgãos nos organismos não estão
programadas no código genético", afirma Sheldrake. "Dados os genes corretos,
e portanto as proteínas adequadas, supõe-se que o organismo, de alguma
maneira, se monte automaticamente. Isso é mais ou menos o mesmo que enviar,
na ocasião certa, os materiais corretos para um local de construção e
esperar que a casa se construa espontaneamente."
A morfogênese, isto é, a modelagem formal de sistemas biológicos como as
células, os tecidos, os órgãos e os organismos seria ditada pelos campos
morfogenéticos, uma estrutura espaço-temporal que direcionaria a
diferenciação celular, fornecendo uma espécie de roteiro básico ou matriz
para a ativação ou inativação dos genes, um papel semelhante ao da planta de
um edifício. Devemos ter claras, porém, as limitações dessa analogia. Porque
a planta é um conjunto estático de informações, que só pode ser implementado
pela força de trabalho dos operários envolvidos na construção. Os campos
morfogenéticos, ao contrário, estão eles mesmos em permanente interação com
os sistemas vivos e se transformam o tempo todo graças ao processo de
ressonância entre os campos.
Tanto quanto a diferenciação celular, a regeneração de organismos simples é
um outro fenômeno que desafia a biologia reducionista e conspira a favor da
hipótese dos campos morfogenéticos. Ela ocorre em espécies como a dos
platelmintos, por exemplo. Se um animal desses for cortado em pedaços, cada
parte se transforma num organismo completo. Tal organismo parece estar
associado a uma matriz invisível, que lhe permite regenerar sua forma
original mesmo que partes importantes sejam removidas. Sheldrake já realizou
várias pesquisas para provar que o corpo possui um campo mórfico e, quando
se perde uma parte desse corpo, o campo permanece. Um exemplo é uma das
experiências que fez: Uma pessoa que não tem parte do braço age como se
estivesse empurrando o membro fantasma através de uma tela fina. Do outro
lado da tela, uma outra pessoa tenta tocar o braço fantasma. De acordo com
Sheldrake, as duas pessoas envolvidas na experiência são capazes de sentir o
toque. É uma prova (subjetiva) de que alguma coisa do braço ainda existe
concretamente, e não apenas no cérebro da pessoa que o perdeu.
Depois de muitos anos de estudo e pesquisa chegou-se à conclusão de que a
chave desse mistério estaria numa espécie de memória: uma memória coletiva e
inconsciente que faz com que formas e hábitos sejam transmitidos de geração
para geração. O campo morfogenético seria uma região de influência que atua
dentro e em torno de todo organismo vivo. Algo parecido com o campo
eletromagnético que existe em volta dos imãs. Para o cientista, cada grupo
de animais, plantas, pássaros etc, está cercado por uma espécie de campo
invisível que contém uma memória, e que cada animal usa a memória de todos
os outros animais da sua espécie. Esses campos são o meio pelo qual os
hábitos de cada espécie se formam, se mantém e se repetem. No exemplo dos
macacos, o conhecimento adquirido por um conjunto de indivíduos agrega-se ao
patrimônio coletivo, provocando um acréscimo de consciência que passa a ser
compartilhado por toda a espécie.
O processo responsável por essa coletivização da informação foi batizado por
Sheldrake com o nome de ressonância mórfica. Por meio dela, as informações
se propagam no interior do campo mórfico, alimentando uma espécie de memória
coletiva.
Os seres humanos também têm uma memória comum. É o que Jung chamou de
inconsciente coletivo. A respeito disso, Sheldrake lança uma luz sobre a
questão 0da existência de vidas passadas: Ele diz que, às vezes, as pessoas
podem entrar em sintonia com as memórias de uma outra pessoa que existiu no
passado. Isso que não significa que elas foram realmente aquela pessoa, mas
que se teve acesso à memória dela. Talvez por isso existam por aí tantas
reencarnações de Napoleão e Cleópatra...
Então, o campo morfogenético é algo que está dentro de nós, e fora de nós.
Nos envolve e nos define, está presente em nossos pensamentos, e nossas
atitudes. Pode estar por trás do Id; Pode ser a Força. O inconsciente
coletivo; O Shaktipat; Em essência, o Tao; Ou mesmo Brahma! O Reino dos
céus!
Os campos morfogenéticos também são responsáveis por aquela sensação que a
maioria das pessoas tem quando sente que está sendo observada. Sheldrake
explica:
"Entrevistei alguns detetives particulares, pessoal da vigilância na
polícia, pelotões antiterrorismo da Irlanda do Norte e outras pessoas cujo
negócio é olhar outras pessoas. A maior parte destes observadores
profissionais está muito consciente desse fenômeno, e alguns daqueles que
operam sistemas de segurança em shoppings, edifícios, aeroportos e hospitais
também estão muito conscientes desse efeito. Em uma das principais lojas de
departamento de Londres, os detetives da loja disseram que podiam olhar as
pessoas na loja através de uma TV, e quando viam alguém roubando, um gatuno,
muitas vezes perceberam que, se olhassem para essa pessoa muito
intensamente, pela tela da TV, a pessoa começava a olhar a seu redor
procurando as câmeras escondidas e depois devolvia o que tinha tirado e saía
da loja. Um segurança em um hospital disse que onde isso dava mais certo era
com uma câmera oculta que cobria uma área onde as pessoas iam fumar, embora
não fosse permitido fumar no hospital, mas quando ele observava os fumantes
através da televisão de circuito fechado eles imediatamente começavam a
parecer constrangidos e apagavam seus cigarros e saíam dali. Portanto, há
muitas experiências práticas. No SAS britânico, que são as forças especiais
usadas para tomar de assalto terroristas em embaixadas e lugares
semelhantes, parte do treinamento ensina que, se você está se aproximando
cuidadosamente de uma pessoa por trás, para esfaqueá-la nas costas, você não
deve olhar fixamente para as costas dela, porque é quase certo que, se o
fizer, ela vai se virar. E a primeira lição que um detetive particular
aprende sobre seguir alguém é que você não olha para quem está seguindo,
porque se olhar, ele vai se virar e seu disfarce terá sido descoberto".
Parece telepatia. Mas não é. Porque, tal como a conhecemos, a telepatia é
uma atividade mental superior, focalizada e intencional que relaciona dois
ou mais indivíduos da espécie humana. A ressonância mórfica, ao contrário, é
um processo básico, difuso e não-intencional que articula coletividades de
qualquer tipo. Sheldrake apresenta um exemplo desconcertante dessa
propriedade:
"Quando uma nova substância química é sintetizada em laboratório, não existe
nenhum precedente que determine a maneira exata de como ela deverá
cristalizar-se. Dependendo das características da molécula, várias formas de
cristalização são possíveis. Por acaso ou pela intervenção de fatores
puramente circunstanciais, uma dessas possibilidades se efetiva e a
substância segue um padrão determinado de cristalização. Uma vez que isso
ocorra, porém, um novo campo mórfico passa a existir. A partir de então, a
ressonância mórfica gerada pelos primeiros cristais faz com que a ocorrência
do mesmo padrão de cristalização se torne mais provável em qualquer
laboratório do mundo. E quanto mais vezes ele se efetivar, maior será a
probabilidade de que aconteça novamente em experimentos futuros."
Com afirmações como essa, não espanta que a hipótese de Sheldrake tenha
causado tanta polêmica. Em 1981, quando ele publicou seu primeiro livro, A
New Science of Life (Uma nova ciência da vida), a obra foi recebida de
maneira diametralmente oposta pelas duas principais revistas científicas da
Inglaterra. Enquanto a New Scientist elogiava o trabalho como "uma
importante pesquisa científica", a Nature o considerava "o melhor candidato
à fogueira em muitos anos".
Doutor em biologia pela tradicional Universidade de Cambridge e dono de uma
larga experiência de vida, Sheldrake já era, então, suficientemente seguro
de si para não se deixar destruir pelas críticas. Ele sabia muito bem que
suas idéias heterodoxas não seriam aceitas com facilidade pela comunidade
científica. Anos antes, havia experimentado uma pequena amostra disso,
quando, na condição de pesquisador da Universidade de Cambridge e da Royal
Society, lhe ocorreu pela primeira vez a hipótese dos campos mórfogenéticos.
A idéia foi assimilada com entusiasmo por filósofos de mente aberta, mas
Sheldrake virou motivo de gozação entre seus colegas biólogos. Cada vez que
dizia alguma coisa do tipo "eu preciso telefonar", eles retrucavam com um
"telefonar para quê? Comunique-se por ressonância mórfogenética". Era uma
brincadeira amistosa, mas traduzia o desconforto da comunidade científica
diante de uma hipótese que trombava de frente com a visão de mundo
dominante. Afinal, a corrente majoritária da biologia vangloriava-se de
reduzir a atividade dos organismos vivos à mera interação físico-química
entre moléculas e fazia do DNA uma resposta para todos os mistérios da vida.
A hipótese dos campos morfogenéticos é bem anterior a Sheldrake, tendo
surgido nas cabeças de vários biólogos durante a década de 20. O que
Sheldrake fez foi generalizar essa idéia, elaborando o conceito mais amplo
de campos mórficos, aplicável a todos os sistemas naturais e não apenas aos
entes biológicos. Propôs também a existência do processo de ressonância
mórfica, como princípio capaz de explicar o surgimento e a transformação dos
campos mórficos. Não é difícil perceber os impactos que tal processo teria
na vida humana. "Experimentos em psicologia mostram que é mais fácil
aprender o que outras pessoas já aprenderam", informa Sheldrake.
Ele mesmo vem fazendo interessantes experimentos nessa área. Um deles
mostrou que uma figura oculta numa ilustração em alto constraste torna-se
mais fácil de perceber depois de ter sido percebida por várias pessoas. Isso
foi verificado numa pesquisa realizada entre populações da Europa, das
Américas e da África em 1983. Em duas ocasiões, os pesquisadores mostraram
as ilustrações 1 e 2 a pessoas que não conheciam suas respectivas
"soluções". Entre uma enquete e outra, a figura 2 e sua "resposta" foram
transmitidas pela TV. Verificou-se que o índice de acerto na segunda mostra
subiu 76% para a ilustração 2, contra apenas 9% para a 1. Numa universidade
inglesa, alguns pesquisadores conseguiram provar que as palavras cruzadas
dos jornais são muito mais fáceis de resolver quando feitas no dia seguinte
à publicação original.
Esse fenômeno é muito comum entre os químicos. Quando um deles tenta
cristalizar um novo composto leva muito tempo para conseguir um bom
resultado. Mas a partir desse momento em outros lugares do mundo muitos
outros químicos conseguem cristalizar o mesmo composto num tempo muito mais
curto.
Isso explicaria o porquê da geração dos anos 80 ter tido facilidade de
programar o videocassete, e a geração de 90 dominar o computador e o
celular?
Se for definitivamente comprovado que os conteúdos mentais se transmitem
imperceptivelmente de pessoa a pessoa, essa propriedade terá aplicações
óbvias no domínio da educação. "Métodos educacionais que realcem o processo
de ressonância mórfica podem levar a uma notável aceleração do aprendizado",
conjectura Sheldrake. E essa possibilidade vem sendo testada na Ross School,
uma escola experimental de Nova York, dirigida pelo matemático e filósofo
Ralph Abraham.
Outra conseqüência ocorreria no campo da psicologia. Teorias psicológicas
como as de Carl Gustav Jung e Stanislav Grof, que enfatizam as dimensões
coletivas ou transpessoais da psique, receberiam um notável reforço, em
contraposição ao modelo reducionista de Sigmund Freud (ver artigo "Nas
fronteiras da consciência", em Globo Ciência nº 32).
Sem excluir outros fatores, o processo de ressonância mórfica forneceria um
novo e importante ingrediente para a compreensão de patologias coletivas,
como o sadomasoquismo e os cultos da morbidez e da violência, que assumiram
proporções epidêmicas no mundo contemporâneo, e poderia propiciar a criação
de métodos mais efetivos de terapia. "A ressonância mórfica tende a reforçar
qualquer padrão repetitivo, seja ele bom ou mal", afirmou Sheldrake a
Galileu. "Por isso, cada um de nós é mais responsável do que imagina, pois
nossas ações podem influenciar os outros e serem repetidas".
Abaixo, os melhores momentos da palestra de Rupert Sheldrake, intitulada "A
mente ampliada" (que pode ser lida integralmente aqui):
EXPERIMENTO DO CACHORRO
Deixe-me dar um exemplo do tipo de histórias que temos em nosso banco de
dados, sobre um cachorro que sabe quando seu dono está chegando em casa.
Essa é de uma pessoa no Havaí: "Meu cachorro Debby sempre fica esperando na
porta uma meia hora antes de meu pai chegar em casa do trabalho. Como meu
pai estava no exército, ele tinha um horário de trabalho muito irregular.
Não fazia diferença se meu pai ligava antes, e uma época eu achei que o
cachorro reagia à chamada telefónica, mas isso obviamente não era o caso,
porque às vezes meu pai dizia que estava vindo para casa mais cedo, mas
tinha que ficar até mais tarde. Às vezes ele nem telefonava. O cachorro
nunca se enganava, portanto eu eliminei a teoria do telefone. Minha mãe foi
a primeira pessoa que notou esse comportamento. Ela estava sempre preparando
o jantar quando o cachorro ia para a porta. Se o cachorro não fosse até a
porta, nós sabíamos que papai ia chegar mais tarde. Se ele chegasse tarde, o
cachorro mesmo assim o esperava, mas só quando ele já estivesse no caminho
de casa".
Temos agora em nosso banco de dados cerca de 580 relatos de cachorros que
fazem isso, e cerca de 300 relatos de gatos que fazem isso, com esse tipo de
qualidades. O cético de carteirinha irá dizer "bem, é apenas uma rotina",
mas na maioria dos casos não é uma rotina (se fosse as pessoas nem
notariam). O próximo argumento do cético de carteirinha é "bom, o que deve
acontecer é que as pessoas da casa sabem quando o dono está vindo e com isso
seu estado emocional muda, e o animal capta essa mudança através de deixas
sutis". Bem, é claro que isso é possível se as pessoas realmente prevêem que
alguém está vindo para casa, seu estado emocional pode mudar, elas podem
ficar excitadas ou talvez deprimidas e o animal pode captar essa mudança
emocional e reagir a ela. Mas, em muitos dos casos, as pessoas na casa não
sabem quando a outra está vindo para casa, é o animal que lhes diz, e não
elas que dizem ao animal.
Quando eu estava discutindo esse assunto com Nicholas Humphrey, meu amigo
cético disse: "bem, tudo isso ainda não elimina a possibilidade de que eles
ouvem o barulho do motor do carro, um motor de carro familiar a 30, 40
quilômetros de distância", e eu disse: "isso é obviamente impossível". E
ele: "pelo contrário, apenas demonstra como a audição dos cachorros é
aguçada". Foi essa discussão que levou à ideia de fazer um experimento. Eu
disse: "OK, e se eles vierem para casa de táxi, ou no carro de um amigo, ou
de trem, ou de bicicleta da estação em uma bicicleta emprestada, para que
não haja sons familiares?" E ele disse: "nesse caso, o cachorro não
reagiria", e desde a publicação deste livro eu já descobri muitos cachorros,
gatos e outros animais que fazem isso.
Telefonamos para pessoas escolhidas aleatoriamente usando técnicas
padronizadas de amostragem e perguntamos se elas tinham animais. Dos donos
de animais, havia mais donos de cachorros do que de gatos na maior parte das
localidades. Perguntávamos: então "seu animal parece saber previamente
quando um membro da família está vindo para casa?" Aproximadamente 50% dos
donos de cachorro em todas as localidades disseram que sim - em Los Angeles
foram mais de 60% - e podemos ver através desses resultados que os gatos em
todas as localidades fazem isso menos que os cachorros.
Nos primeiros experimentos que foram feitos, pedíamos às pessoas que
anotassem em um caderno o comportamento do cachorro, mas os céticos
disseram: "bem, assim você tem uma tendência subjetiva". Portanto, agora nós
fazemos uma fita de vídeo de todos os experimentos. Temos uma câmera de
vídeo em tripé, apontando para o lugar onde o cachorro ou o gato esperam
pela pessoa que vem para casa. Há um controle de tempo na câmera e ela fica
funcionando por horas. Então, temos horas de filme que irão mostrar se o
cachorro ou o gato vão até a janela, e por quanto tempo ficam lá, um
registro objetivo e perfeito. O que vou lhes mostrar é um vídeo de um desses
experimentos que foi feito com um cachorro com que trabalhei principalmente
na Inglaterra. O cachorro chama-se JT e o nome de sua dona é Pam. Quando Pam
sai, ela deixa JT com seus pais, que vivem no apartamento ao lado do dela.
Eles observaram há muitos anos que JT sempre ia para a janela quando Pam
estava a caminho de casa, ou quase sempre. Esse experimento foi filmado
profissionalmente pela televisão estatal austríaca, e foi filmado com duas
câmeras, para que pudéssemos ver o cachorro e a pessoa que estava na rua ao
mesmo tempo. E foi combinado que eles escolhessem as horas de sua vinda para
casa de maneira aleatória, que nem ela mesma soubesse previamente, que
ninguém soubesse previamente; e ela viria para casa de táxi, para eliminar a
possibilidade de sons de carros familiares. Esse, portanto, é um experimento
que foi realizado dentro dessas condições.
Na vida real, Pam não vem para casa em horas escolhidas aleatoriamente, e
que ela própria desconheça previamente. Quando está no trabalho, ou quando
sai para fazer compras ou visitar amigos, ela vem para casa em vários
momentos diferentes, e nós monitoramos regularmente as horas em que ela
volta, mais de 200 experimentos foram monitorados, temos dezenas deles em
vídeo. O cachorro nem sempre reage, cerca de 85% das vezes JT realmente
espera por ela quando ela está vindo para casa, cerca de 15% ele não o faz.
Analisamos as ocasiões em que ele não faz, a maioria das vezes ocorreu
quando a cadela do apartamento vizinho estava no cio. Isso mostra que JT
pode se distrair. Isso também ocorreu algumas vezes quando havia visitas na
casa ou outro cachorro, e algumas vezes sem nenhum motivo. De qualquer
forma, JT normalmente reage quando Pam decide que vai para casa. No filme
vê-se que ele não começa a reagir quando ela entra no táxi, e sim quando ela
estava pronta para ir para casa. Na vida real ele não reage quando ela entra
no carro para ir para casa, e sim quando ela começa a se despedir dos amigos
e pensando "bem, vou-me embora". Ele parece captar essa intenção dela. É bem
verdade que JT vai até a janela ocasionalmente quando Pam não está a caminho
de casa, normalmente porque vai latir para um gato que passa na rua ou está
olhando alguma coisa que está acontecendo do lado de fora. Nesses gráficos
incluímos todos esses casos, embora fique claro no vídeo que ele não está
esperando, mas como os céticos dizem que, se você usar evidência seletiva
isso demonstra que você inventou a coisa toda, não fizemos nenhuma seleção
aqui. Às vezes há uns trechos barulhentos, quando ele vai até a janela de
qualquer maneira, mas podemos ver que isso é a média de 12 ocasiões
diferentes quando ela estava fora por mais de 3 horas. O tempo que ele está
esperando na janela é maior quando ela está no caminho de casa do que quando
ela não está. Vemos um pequeno aumento antes de ela ir para casa que, a meu
ver, tem relação com esse efeito antecipatório.
JT está obviamente esperando por ela principalmente quando ela está no
caminho de casa. O que é claro nesses gráficos é que JT não vai para a
janela com mais frequência quanto mais tempo ela estiver fora. Ele
obviamente está muito mais na janela aqui, quando ela está no caminho de
volta, do que nos períodos correspondentes aqui. Esses efeitos têm uma
enorme significância estatística. Vários tipos de análise mostram
significâncias que vão mais além da escala de meu computador. Esses efeitos
são do tipo p é menor que .00001.
Esses resultados foram amplamente publicados na Grã-Bretanha, nos jornais, e
- é claro - foram criticados pelos céticos, que estão sempre prontos para
dizer que nada semelhante poderia ocorrer. Um dos céticos mais ativos na
Grã-Bretanha, cujo nome é Richard Wiseman, disse que eu não tinha usado
procedimentos adequados, não os tinha registrado de forma adequada, etc. Eu
fiz também muitos experimentos com horas de retorno aleatórias. Pam tem
umpager em seu bolso que eu ativei por telefone de Londres e ela vem para
casa em momentos verdadeiramente aleatórios, usando um desses pagers da
telecom. De qualquer forma, ele criticou os detalhes, então eu disse: "Tudo
bem, por que você mesmo não faz o experimento? Eu organizo tudo para que
você possa fazê-lo com o mesmo cachorro. Emprestamos uma câmera de vídeo,
Pam irá onde você quiser, o seu ajudante ficará observando-a". Na verdade,
então, o próprio Wiseman filmou o cachorro e ficou no apartamento dos pais
da Pam, enquanto seu ajudante ia com a Pam para pubs, ou outros lugares, até
que em um momento determinado aleatoriamente fosse decidido que eles
voltariam para casa. Eles checavam o tempo todo para garantir que não
haveria chamadas telefônicas secretas, nenhum meio de comunicação invisível,
nenhuma fraude ou trapaça.
Wiseman é um mágico, e ele é um desses céticos que está sempre afirmando que
tudo pode ser feito por trapaça ou ilusionismo. Bem, ele mesmo esteve lá, e
eles estavam se protegendo de tudo, e ele realizou três experimentos com Pam
na casa de seus pais, e esses foram os resultados dos três experimentos que
ele fez, usando todos seus controles rigorosíssimos, seu próprio
procedimento aleatório, e outras coisas mais (os resultados são exatamente
iguais aos outros; o público ri). Portanto, esses resultados são sólidos,
mesmo com um cético, que ao fazer o experimento na verdade não quer que ele
dê certo. Atualmente realizo uma série de experimentos em Santa Cruz,
Califórnia, com um tipo de periquito italiano que mostra o mesmo tipo de
reação: eles guincham quando o dono está vindo para casa, e obtemos quase o
mesmo tipo de gráficos, mostrando que os guinchos vão aumentando de
intensidade quando o dono está a caminho de casa em horas aleatórias.
Um cão e um ser humano, quando formam uma união entre eles, são parte de um
grupo social. Os cães são animais intensamente sociais, eles descendem dos
lobos que têm uma vida social intensa. Portanto, eu acho que o que ocorre
quando uma pessoa sai de casa, é que ela ainda continua conectada pelo campo
mórfico da família, do qual o cão é parte. O campo mórfico se estica, por
assim dizer, mas eles ainda estão ligados por esse campo mórfico, e é devido
a essa conexão contínua invisível que a informação pode viajar, as intenções
da pessoa podem afetar o cachorro em casa.
Portanto, eu interpreto tudo isso em termos de campos mórfícos. É claro,
outras pessoas podem querer interpretá-lo em termos de outras coisas, e pode
ser que isso esteja relacionado com a não-localidade quântica, ninguém sabe.
Existem na física quântica, fenômenos não-locais misteriosos, sistemas que
foram conectados como parte do mesmo sistema, e quando são separados retêm
essa conexão não-local e não separável à distância. Bem, uma pessoa e um
cachorro, que estiveram conectados por terem vivido juntos como
companheiros, quando se separam podem ter uma conexão não-local semelhante.
Mas ninguém sabe se essa não-localidade quântica se estende aos fenômenos
macroscópicos ou não.
MEMÓRIA COLETIVA
Acho que esses campos têm uma espécie de memória, essa é minha ideia de
ressonância mórfíca, o que significa que cada tipo de campo mórfico tem uma
memória de sistemas passados semelhantes, por meio de um processo de
ressonância através do espaço e do tempo. Os campos são locais, estão dentro
e ao redor do sistema que eles organizam, mas sistemas semelhantes têm uma
influência não-local através do espaço e do tempo, oriunda da ressonância
mórfíca, que dá uma memória coletiva para cada espécie. Não tenho tempo de
explicar os detalhes da teoria da ressonância mórfíca, a não ser para dizer
que cada espécie neste planeta teria uma memória coletiva. Todos os ratos
extrairiam memórias da memória coletiva de ratos anteriores. Se ratos
aprenderem um novo truque no laboratório, outros ratos em outros locais
deveriam ser capazes de aprender o mesmo truque mais rapidamente. Haja
evidência, que eu discuti em meus livros, de que isso realmente ocorre.
No reino humano, se as pessoas aprendem uma nova habilidade, como windsurf,
ou andar de skate, ou programação de computador, o fato de que muitas
pessoas já aprenderam a mesma coisa deveria fazer com que fosse mais fácil
para os outros aprenderem. Bem, essa é uma teoria que, claramente, é muito
polêmica, e eu a descrevi em detalhe em meus livros A new science of life e
A presença do passado. Já houve um número considerável de testes
experimentais, e quando um número grande de pessoas está envolvida, eles dão
resultados positivos; com uma amostra pequena (20, 30 pessoas) aprendendo
algo novo, os resultados são às vezes positivos e às vezes não
significativos. Esses efeitos são relativamente pequenos e difíceis de
detectar no contexto de variações individuais. Mas há certos tipos de
evidência que surgiram espontaneamente, que são relevantes aqui, e um deles
está relacionado com testes de QI. Como vocês sabem, os testes padrão de QI
vêm sendo ministrados por muitos anos para medir a inteligência e esses
mesmos testes são aplicados ano após ano. Foram feitos estudos para examinar
a contagem de testes de QI no decorrer do tempo; quando examinamos o
desempenho absoluto nesses testes - e aqui estamos falando de testes feitos
por milhões de pessoas - os testes mostram um efeito muito interessante que
foi descoberto pela primeira vez por James Flynn, e portanto é chamado de
Efeito Flynn: há um aumento misterioso e inesperado nas porcentagens do QI
com o correr do tempo. Aqui temos um gráfico mostrando resultados de testes
de QI, tirado de um número recente da revista Scientific American. As
porcentagens aumentaram uns três por cento a cada década, não só nos Estados
Unidos, mas também na Inglaterra, na Alemanha e na França. Por que o QI é
uma questão polêmica na psicologia, tem havido muita discussão sobre a razão
pela qual isso aconteceu: melhor nutrição, escolas melhores, mais
experiência com os testes, e assim por diante. Mas nenhuma dessas teorias
foi capaz de explicar mais do que uma fração desse efeito. O próprio Flynn,
após 10 anos pensando sobre isso, e testando todas essas explicações, chegou
à conclusão que o efeito é desconcertante, não há explicação para ele na
ciência convencional. No entanto, é apenas o tipo de efeito que seria de se
esperar com a ressonância mórfíca. Não é porque as pessoas estão realmente
ficando mais inteligentes, mas o que está acontecendo é que elas
simplesmente estão mais eficientes quando fazem os testes de QI, e eu acho
que isso ocorre porque milhões de pessoas já fizeram os mesmos testes.
CRISTAIS
Se você fizer um novo cristal que nunca existiu antes, não poderia existir
um campo mórfico para esse cristal. Essa teoria se aplica também a
moléculas. Se você a cristalizar repetidamente, o campo mórfico ficará mais
forte, e ficaria mais fácil para a substância se cristalizar. Na verdade
isso é um fato bem conhecido dos químicos, que os novos compostos se
cristalizam com mais facilidade com o passar do tempo nos vários
laboratórios. A explicação desses químicos é que isso ocorre porque
fragmentos dos cristais anteriores são levados de um laboratório para o
outro, nas barbas de químicos migrantes, ou que foram transportados da
atmosfera como partículas invisíveis de poeira. Mas eu estou sugerindo que
isso poderia ser um efeito da ressonância mórfica e essa é uma das áreas em
que ela pode ser testada. Na química existem também outras áreas onde ela
pode ser testada.
O UNIVERSO E OS ANJOS
Átomos, moléculas, cristais, organelas, células, tecidos, órgãos,
organismos, sociedades, ecossistemas, sistemas planetários, sistemas
solares, galáxias: cada uma dessas entidades estaria associada a um campo
mórfogenético específico. São eles que fazem com que um sistema seja um
sistema, isto é, uma totalidade articulada e não um mero ajuntamento de
partes.
Se, através da teoria de Gaya, estamos passando a enxergar a Terra como um
organismo vivo, então será que a Terra pensa? Será que ela poderia ser
consciente? E o Sol? Todas as religiões tradicionais tratam o Sol como sendo
consciente. É um deus (Hélios), na religião grega. Mitra, na Pérsia. Surya,
na Índia, onde seus devotos o saúdam pela manhã, através de um exercício de
yoga chamado Surya namaskar. Portanto, estas são tradições que existem em
todas as partes, mas, é claro, para nós, com uma estrutura científica, o Sol
é apenas uma grande explosão nuclear do tipo que ocorre o tempo todo
emitindo radiação.
O Sol, sabemos hoje em dia, tem uma série incrível de mutações de
ressonância elétrica e magnética ocorrendo em seu interior: ciclos de onze
anos, explosões de manchas solares, dinâmica caótica, freqüências
ressonantes. Atualmente sistemas estão monitorando, com um detalhamento
anteriormente considerado impossível, essas incríveis mudanças
eletromagnéticas - minuciosas e complexas - que estão ocorrendo no Sol. Bem,
se padrões elétricos complexos são uma interface suficiente para a
consciência e o cérebro humano, por que é que o Sol não poderia tê-los
também? Por que o Sol não poderia pensar? E se o Sol é consciente, por que
não as estrelas? E se as estrelas são conscientes, por que não as galáxias?
Essas últimas teriam uma consciência de um tipo muito mais inclusivo do que
a das estrelas que elas contêm. E se galáxias, por que não os grupos de
galaxias? Então teríamos uma idéia de níveis hierárquicos de consciência por
todo o universo. É claro, na tradição ocidental, como em todas as tradições,
temos uma idéia exatamente desse tipo. A idéia das hierarquias dos anjos na
Idade Média não era a de seres com asas - isso era apenas uma maneira
bastante ingênua de representá-los. Eles eram compreendidos tradicionalmente
como níveis de consciência além do humano. Havia nove níveis, dos quais três
ou mais eram relacionados com as estrelas e com a organização de corpos
celestiais. Eles eram as inteligências das estrelas e dos planetas, os três
níveis intermediários dos anjos. Portanto, já existe a tradição no ocidente
sobre uma consciência super-humana.
Fontes:
IPPB: A memória da natureza;
Revista Galileu
Referência: Site de Rupert Sheldrake;
O Renascimento da Natureza: o Reflorescimento da Ciência e de Deus; Rupert
Sheldrake - Ed. Cultrix;
Caos, Criatividade e o Retorno do Sagrado: Triálogos nas Fronteiras do
Ocidente; Ralph Abraham, Terence McKenna e Rupert Sheldrake - Ed.
Cultrix/Pensamento;
A revolução da consciência - novas descobertas sobre a mente no século XXI;
Francisco Di Biase e Richard Amoroso - Ed. Vozes;
(1994). Seven experiments that could change the world. Londres, Fourth
Estate;
(l998). The sense of being stared at: experiments in schools. Journal of the
Society for PsychicalResearch, 62, p. 311-323;
(1998). Experimenter effects in scientific research: how widely are they
neglected? Journal of Scientific Exploration, 12, p. 73-78;
(1999). The sense of being stared at confirmed by simple experiments.
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(1999). Dogs that know when their owners are coming home. Londres,
Hutchinson;
(1999). How widely is blind assessment used in scientific research?
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