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Postado por
Prashanto em 03/04/2008
Osho - Meditação e Compaixão
"Meditação é a fonte, compaixão é o
transbordamento daquela fonte. O homem não meditativo
não tem energia para o amor, para a compaixão, para a
celebração. Uma pessoa não meditativa está
desconectada de sua própria fonte de energia; ela não
está em contato com o oceano. Ela tem um pouquinho de
energia que é criada pelo alimento, pelo ar, pela
matéria - ela vive na energia física.
A energia física tem limitações. Ela nasce num
certo momento do tempo e morre em outro momento. Ela
existe entre o nascimento e a morte. É como o lampião
que queima por causa do óleo que está nele - uma
vez que o óleo se esgota, a chama se vai.
A pessoa meditativa vem a conhecer algo do
infinito, torna-se conectada com a fonte inesgotável
de energia. A sua chama continua e continua, ela não
conhece fim. Ela não pode desaparecer porque antes de
tudo ela não apareceu. Ela não pode morrer porque ela
é não-nascida.
Como se conectar com essa fonte inesgotável de
vida, abundância e riqueza? Você pode chamar essa
fonte inesgotável de Deus ou pode chamá-la de verdade
ou de alguma coisa que você queira chamar. Mas uma
coisa é absolutamente certa, que o homem é uma onda de
algo infinito.
Se a onda olhar para dentro ela descobrirá o
infinito. Se ela continuar olhando para fora, ela
permanecerá desconectada de seu próprio reino e de sua
própria natureza. Jesus chama essa natureza de reino
de Deus. Ele diz repetidas vezes, `O reino de
Deus está dentro de você. Vá para dentro.´
A meditação nada mais é que uma ponte para ir
para dentro. Uma vez que a meditação aconteceu, a
única coisa que permanece para ainda acontecer é a
compaixão.
Buda, o mestre original da linhagem de Atisha,
disse que, a não ser que a compaixão aconteça, não se
contente com a meditação. Você foi apenas até a metade
do caminho, você tem que ir um pouco mais. A
meditação, se ela é verdadeira, certamente ela se
transborda na compaixão. Assim como, quando se acende
uma lâmpada, ela imediatamente começa a irradiar luz,
imediatamente começa a dispersar a escuridão, uma vez
que a luz interna é acesa, a compaixão é a sua
irradiação.
A compaixão é a prova de que a meditação
aconteceu. O amor é a fragrância que prova que o lótus
de mil pétalas no centro mais interno do seu ser
desabrochou, que a primavera chegou - que você
não é mais a mesma pessoa que costumava ser, que
aquela personalidade acabou e a individualidade
nasceu, que você não está vivendo mais na escuridão,
que você é luz.
Estes sutras são instruções práticas, lembre-se
disso. Atisha não é um filósofo, nenhum sábio o é. Ele
não é um pensador, pensar é para os tolos e medíocres.
O sábio não pensa, ele sabe. Pensar é um esforço para
saber, são conjecturas, tateando no escuro, atirando
setas no escuro. (...)
Você não tem que se agarrar a essas instruções.
Simplesmente compreenda-as, absorva-as e não seja um
fanático. Não diga, `Isto tem que ser como
aquilo. Se não for como aquilo então eu não estou
seguindo, algo está errado.´ Será alguma coisa
como aquilo, mas de uma maneira muito vaga. Terá uma
fragrância semelhante, mas não será exatamente a
mesma; semelhante, sim, mas não a mesma. É preciso
estar consciente disso. Se não estiver consciente,
pode-se tornar um fanático - e fanático nunca
chega, o seu próprio fanatismo o impede.
Estas são pequenas dicas. Elas não são
matemáticas, não são como dois mais dois são quatro.
No mundo dos mistérios, algumas vezes dois mais dois
são três, algumas vezes são cinco. É muito raro que
dois mais dois sejam quatro, é a exceção, não a regra.
Isto não é matemática, é música. Não é lógica, é
poesia. (...)
Deixe-me lembrá-lo: no sutra anterior, Atisha
estava dizendo para deixar que isso se torne a sua
meditação, que quando você inspira, traga junto com
sua inspiração todos os sofrimentos de todos os seres
no mundo para que alcancem o seu coração. Absorva
todos esses sofrimentos, dores e misérias em seu
coração e veja um milagre acontecer.
Sempre que você absorve a miséria, a dor e o
sofrimento de alguém, no momento em que você o
absorve, ele é transformado. (...)
OSHO - The Book of Wisdom
Tradução: Swami Bodhi Champak
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