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Postado por Prashanto em 03/04/2008

Paul Pearsall-Conexão

 

Conexão com o Todo

Paul Pearsall

"Se você não colocar essa pedra no lugar dela, a gente nunca vai conseguir dar a partida neste caminhão", disse o havaiano a um visitante vindo do continente. Seu convidado achara a pedra na praia enquanto pescava. Levado pela sua beleza, enfiou-a na mochila. Ora, enquanto o Sol se punha no horizonte e as palmeiras inclinavam sua silhueta negra sobre o oceano, uma chuvinha no começo da noite caía sobre o pára-brisa. O havaiano e seu amigo relutantemente se prepararam para partir, porém, apesar de girar a chave diversas vezes, a velha picape não ligava.

"Não entendo", disse o visitante. "O que uma pedrinha tem a ver com o fato de a sua picape não dar a partida?" O havaiano pôs o braço para fora do caminhão, voltou a palma da mão para cima e disse: "Sente essas lágrimas? Os deuses estão chorando porque não querem que a pohaku (pedra) saia da casa dela. Ela não lhe pertence. Você está quebrando a lokahi (unidade) dela com a terra. Coloque-a no seu lugar e os deuses vão-nos deixar partir."

"Seu havaiano louco", riu-se o visitante. Ele ouvira esse tipo de coisa de um amigo antes, e por vezes o arreliara por isso. Sem querer ofender o havaiano, o visitante atirou a pedra ao chão. "Dê a partida", ele se riu. "A casa da pedra." O havaiano sorriu e sacudiu a cabeça. "Veja. Vou tentar pra você ver, mas não vai dar a partida." Ele girou a chave, mas só se ouviu um zumbido fraco. O visitante, por sua vez, estendeu o braço e girou a chave; no entanto, ainda assim não conseguiu dar a partida.

"Você tem de colocar a pedra no lugar dela", disse o havaiano com mais firmeza. "Faça isso com respeito e peça desculpa pela perturbação causada." O visitante percebeu uma profunda preocupação nos olhos do amigo.

"Você não pode estar falando sério", resmungou, enquanto de um salto saiu do caminhão, pegou a pedra, transportou-a alguns metros pela praia para colocá-la onde a havia encontrado. "Aí está, pedra", disse zombeteiramente, "você está em casa. Portanto, deixe a gente voltar para casa." A chuva aumentou e o visitante foi ficando ensopado enquanto voltava para o caminhão.

Antes que o visitante se sentasse, o havaiano girou a chave mas não conseguiu dar a partida. Ele olhou para o amigo com mais piedade do que impaciência, tirou a chave da ignição e colocou a mão no ombro do amigo. O visitante percebeu que o havaiano não estava brincando e que tinha os olhos marejados de lágrimas.

"Por favor, volte lá e peça desculpa de novo. Mas só faça isso se você sentir o que está dizendo, se se desculpar for a sua intenção. Caso contrário, vamos ter que ficar aqui por muito tempo - talvez mais do que você possa imaginar. Mesmo que eles nos encontrem e reboquem o meu caminhão, não haverá vantagem nisso. Você tem que demonstrar respeito por todas as coisas aqui. Você pode deixar esta ilha, mas sempre será parte dela, assim como essa pedra. Deixe o seu respeito e leve o aloha deste lugar no seu coração, não na sua mochila."

O visitante ficou profundamente comovido com a sinceridade do amigo e sentiu que suas lágrimas se misturavam com a chuva a lhe cair no rosto. Andou lentamente até a pedra, ajoelhou-se e disse sem o menor embaraço na voz: "Lamento realmente. Eu não havia entendido. Por favor, me desculpe. Espero voltar de novo e ver você." Bem nesse momento, ele sentiu o vento roçar-lhe o cabelo. A chuva diminuiu e parou. À distância, ouviu o motor do caminhão pegar e dar a partida.

"Hele mai!" (Venha!), acenou o havaiano. "Mas não se esqueça de dizer adeus à pohaku. Ela vai sentir a sua falta, enquanto você estiver ausente."

Doença e falta de união

A história da pohaku é verdadeira. O havaiano é um dos meus melhores amigos. Sei de antemão que esse caminhão velho nunca teve nenhum problema para dar a partida antes desse fato, e que começou a funcionar de modo confiável e sem necessitar de conserto desde então. Para o meu amigo havaiano, a idéia de unidade, chamada de lokahi, é muito mais do que uma metáfora ou uma filosofia da nova era. Trata-se de um princípio real, fundamental e poderoso da vida cotidiana, o qual, quando violado, tem conseqüências negativas. Quando respeitado, porém, resulta em grande alegria e bem-estar.

Para a desencantada cultura ocidental, a Terra e tudo o que há sobre ela estão aqui para nosso "uso" ou exploração. Vivemos de maneira tão premente no nosso planeta, usando seus recursos, que o calor gerado pela nossa opressão febril está aumentando de maneira perigosa a temperatura da atmosfera. A cultura ocidental é mormente de controle e de posses, em vez de ser de unidade e apego. Na cultura oceânica, não existe separação entre os mundos espiritual e físico. Nosso mundo está vivo e é sensível, e é preciso que se lide com ele dessa forma. Nada pode ser possuído ou controlado por ninguém, e o respeito profundo e total, o apreço e a responsabilidade pelo bem-estar do planeta é uma chave para a felicidade e o bem-estar de tudo e de todos.

A medicina ocidental agora está aprendendo que toda doença e infelicidade está, em última análise, relacionada com a falta de vínculo. O padre Chris Williamson salienta que as pessoas que querem se desenvolver espiritualmente não freqüentam mais seminários sobre auto-aperfeiçoamento, tampouco se isolam em mosteiros para contemplação, mas entram em relacionamentos significativos e os conservam. A interdependência, não a independência, é a atitude das culturas insulares.

Num domínio diferente, a psiconeuroimunologia está documentando de que forma, sempre que nos comportamos de maneiras que nos separam de outras pessoas ou coisas, sofremos física e emocionalmente: nosso sistema imunológico enfraquece, nosso coração fica isolado do resto de nosso corpo e nosso espírito se torna solitário e em desespero. Para os polinésios, "a cura de si mesmo" não é possível porque toda doença é um tipo de ruptura no relacionamento, não um fracasso do indivíduo. A cura de si mesmo é uma ilusão do isolamento no Ocidente e uma abordagem de caráter mais introspectivo no Oriente.

A necessidade fundamental

Somos mais felizes e realizados quando nos sentimos plenamente unidos. O psicólogo ocidental Abraham Maslow escreveu sobre a "transcendência" como a necessidade humana mais elevada. Ele considerava essa necessidade como entrando em jogo só quando as necessidades individuais inferiores, tais como o amor-próprio e a compreensão de si mesmo, eram satisfeitas. O pensamento oceânico vira do avesso a hierarquia proposta por Maslow. Ele nos ensina que transcender o eu para ser e sentir em total união com a vida é nosso impulso fundamental, e que todas as outras necessidades se baseiam no conhecimento e no comportamento em conformidade com esse motivo central da existência.

Transcender, na Polinésia, não equivale a ser excelente, bem-sucedido, ultrapassar em excelência, destacar-se ou ir além. Implica renunciar, partilhar, sacrificar-se e penetrar todo o sistema do mundo a fim de dar de si mesmo para o bem do todo, e sentir o imenso prazer que advém de semelhante unidade. O pensamento oceânico não é hierárquico, mas harmonioso. Os psicólogos modernos fizeram pesquisas para mostrar que é exata essa visão da harmonia acima da hierarquia. Eles documentaram de que modo nas épocas mais importantes de nossa vida somos regidos pela necessidade de unidade. Provavelmente, você pode pensar em inúmeros exemplos de altruísmo transcendente. Os pais adentram a casa em chamas para salvar os filhos, e mártires como Mahatma Gandhi jejuam pelo bem dos outros. Apesar do ceticismo cínico de evolucionistas do desenvolvimento, que sugerem que o comportamento altruísta é tão-só uma proteção dos genes de caráter egoísta, sugiro que reagimos a uma necessidade muito mais profunda, sagrada e arraigada, qual seja a de transcender o eu, a de nos ver nos outros e a de viver segundo o princípio de lokahi e para ele.

Quando os turistas vêm a Mauí, no Havaí, eles querem ver as baleias que voltam para as águas quentes de lá todo inverno. Enquanto aguardam na praia para ver esses gigantes do mar brincando, eles gritam, bebem, comem e se lançam ruidosamente nas águas do mar. Tão logo alguém exclama: "Olhem, uma baleia!" há manifestações de júbilo, mas então toda a praia queda-se em silêncio quando uma cauda gigantesca golpeia a água com vibrações tão fortes que são sentidas na areia. Mesmo depois que a baleia se vai, há silêncio e sussurros sobre a grandiosidade do que se acabou de ver. São necessários alguns minutos para que a algazarra se instaure uma vez mais na praia. Por alguns momentos a necessidade fundamental de sentir a união com a majestade da natureza tem precedência sobre tudo o mais, e enche os observadores de um prazer saudável e íntegro, mais importante do que a simples fruição pessoal.

Lokahi, a expressão da unidade jubilosa, apresenta três facetas: união pessoal, interpessoal e transpessoal. Vamos explorar, a seguir, cada um desses elementos.

União pessoal: Unidade com o eu

Há uma diferença entre o prazer da consciência de si mesmo e o isolamento da absorção em si mesmo. Um aspecto-chave de lokahi envolve ser plenamente consciente de seu próprio corpo, assim como você se liga à terra e aos corpos que o cercam. Viver segundo a receita do prazer requer estar plenamente consciente da linguagem do corpo, mas continuar isento da autoglorificação arrogante.

Os polinésios se referem aos ossos, ao sangue e a outros tecidos como unihipili, ou eu inferior. No caso, "inferior" não significa menor, mas diz respeito à localização. O unihipili é tão venerado quanto os sistemas "superiores" da mente e do mundo exterior porque é uma parte e uma manifestação do ato de partilhar a vida com todos esses sistemas. A visão polinésia não é a da mente sobre o corpo, mas a da mente, do corpo e do mundo como uma coisa só. A receita do prazer envolve ver o corpo não como algo a ser aperfeiçoado, fortalecido e moldado, mas como um conduto entre o mundo e a alma. Ela professa que devemos prestar atenção ao nosso corpo, mas não chamar a atenção sobre ele. Professa que não temos um corpo, mas, como é verdadeiro para a unidade com a natureza, somos nosso corpo.

Nosso corpo físico nos fala o tempo todo, enviando mensagens de saúde, felicidade e necessidade de atenção e reparos. Infelizmente, por vezes tentamos obnubilar essas mensagens com antiácidos, remédios para dor de cabeça e reguladores do intestino. O psicólogo Gary Schwartz, da University of Arizona, passou dez anos estudando a importância de se encarregar da retroalimentação a partir de nossos sistemas corporais. Ele descreve os comerciais de televisão como meios de nos dizer de que modo desligar a linguagem do seu corpo: "A mensagem era: 'Coma tudo o que quiser. Se tiver dor de estômago, não mude seu comportamento para dar ouvidos ao corpo. Em vez disso, tome Alka-Seltzer…'; eles nos ensinam a dizer, 'Que se dane o seu estômago, não interfira no meu comportamento'." Ele mostrou que os que ignoram seu corpo, que se afastam das suas sensações ou tentam conservar a linguagem corporal interiormente, sem atentar para ela nem reparti-la com os outros, são muito mais propensos a ter um coração fraco e imunidade baixa.

O ensinamento oceânico nos diz para dar ouvidos ao nosso corpo assim como ouvimos o trovão e o vento. Professa que todos os sinais da natureza são lições, e que essa natureza nos fala por meio dos diversos sentidos do corpo. Nosso sétimo sentido nos ajuda a ouvir o nosso corpo com certa "faculdade para o sentimento" muito além de nossos cinco sentidos comuns e até mesmo de nosso sexto sentido psíquico. O sétimo sentido é responsável pela energia natural, que é a linguagem poética de todos os processos naturais, e nosso corpo é um dos seus transmissores-chave. Quando o seu corpo "fala", trata-se de nosso sétimo sentido tentando chamar-lhe a atenção. Nosso sétimo sentido não apenas recebe. Ele está constantemente tentando nos enviar mensagens sobre qual caminho seguir na vida.

Para ter mais sincronia com nosso corpo, Gary Schwartz propõe o que chama de Teoria da ACE: Alerta, Conexão e Expressão. Estar "alerta" significa estar constantemente atento quanto às mensagens do corpo na forma de sinais para a ação positiva e para a mudança na vida, em vez de para sintomas de problemas a ser mascarados ou reparados. "Conexão" significa entender os sinais do corpo como uma reação à natureza de nossa existência do modo como ela é inseparável de tudo e de todos, e como advertência de que podemos estar nos separando de nosso mundo, não simplesmente como experiências pessoais. "Expressão" significa falar consigo mesmo e com os outros sobre como o corpo está funcionando e se sentindo, em vez de seguir a filosofia da autonegação típica de "o show deve continuar". Quando estamos alerta, quando estabelecemos conexões e expressamos nossos sentimentos físicos, damos rédeas para que nosso sétimo sentido cumpra seu trabalho de nos afastar das doenças do isolamento rumo ao vigor de um bem-estar integrado.

Conexão interpessoal: Unidade com os outros

Todos precisamos de momentos em que ficamos sós. Eles nos dão a oportunidade de contemplar e refletir; mas o isolamento nos torna doentes e pode até mesmo dar cabo de nós. O isolamento não é a ausência de pessoas ao nosso redor, mas sim certo sentimento de solidão e falta de vínculo, de ter sido de alguma forma deixado fora do "todo", mesmo quando estamos em meio a outras pessoas.

Sem o alimento do apoio social, um coração solitário se torna empedernido e racha. A exemplo de uma flor que não é regada, o coração literalmente atrofia e morre. Um estudo de 2.320 homens que sobreviveram a ataques cardíacos mostrou que, mais do que o cigarro, do que a pressão sangüínea alta, o colesterol alto, o diabetes e outros fatores de risco para a saúde que se conhecem, a solidão foi o elemento predominante da morte precoce. As pessoas sozinhas tinham quatro vezes mais probabilidade de morrer de ataque do coração do que as pessoas com mais vínculos sociais.

A pesquisa moderna no campo da PNI (psiconeuroimunologia) continua a mostrar que os vínculos aumentam a longevidade e que a falta deles encurta a vida. Um estudo envolvendo sete mil pessoas em Alameda County, Califórnia, revelou que a morte precoce era muito mais freqüente entre aqueles que tinham poucos vínculos sociais, bem como poucos sistemas de apoio na sociedade. Os cientistas ocidentais, céticos quanto a uma variável "suave" tal como lokahi ou conexão, oferecem a resposta da "galinha e do ovo" a esses estudos. Talvez, disseram eles, a solidão e o isolamento sejam uma conseqüência do fato de estar doente, não a causa. Valendo-se de técnicas estatísticas avançadas, no entanto, os pesquisadores conseguiram mostrar que a solidão de fato era a causa, e não o efeito, da doença. Um outro estudo fundamental do impacto da solidão sobre a morte precoce, estudo realizado em Tecumseh, Michigan, confirmou essas descobertas. Os oceânicos não consideram lokahi como apenas mais uma forma de evitar a morte prematura, mas como o caminho para o prazer saudável na vida. Eles não se surpreendem com o fato de que as pessoas "com vínculos" vivam mais tempo e de modo mais saudável porque sabem que tais pessoas usufruem a proteção natural e interior da alegria partilhada. Uma vez mais, os anciãos polinésios se surpreendem com o fato de que a ciência moderna tenha levado tanto tempo para "provar" aquilo em que os polinésios há muito acreditavam: que a sensação da unidade é boa simplesmente porque ela é boa.

Os psiconeuroimunologistas estão começando a descobrir exatamente de que modo a solidão isola e oprime o coração. Quando estamos tensos em decorrência de sentimentos desesperançados de solidão, os níveis de hidrocortisona do sangue, um hormônio secretado sob tensão, são muito mais elevados. A solidão também está associada a baixas concentrações de lipoproteínas de alta densidade (HDL, em inglês), o tipo saudável de colesterol que protege das doenças do coração, do enfraquecimento da imunidade e dos níveis baixos de hormônios, essenciais ao fortalecimento dos músculos do coração. Quando nossos relacionamentos sociais são frágeis, nosso coração também se torna fisicamente mais frágil.

Você pode estar surpreso em saber que a maioria das pessoas nos Estados Unidos que tiveram seu primeiro ataque cardíaco antes dos 50 anos não passou por nenhum dos fatores de risco - cigarro, pressão alta ou obesidade. A maior parte, contudo, viveu a experiência da solidão. A medicina ocidental jamais poderá lidar efetivamente com a doença do coração, nosso principal inimigo, sem levar em conta o prazer dos relacionamentos e os perigos do isolamento social.

Conexão transpessoal: Unidade com todas as coisas

Os polinésios não vivem em lokahi com seu ambiente natural porque eram ou são incapazes de mudar o ambiente para se adaptar a suas necessidades, nem porque lhes faltasse a sabedoria para dominá-lo e usá-lo sensatamente. Suas instalações para criação de peixe, que datam de centenas de anos, e seus aquedutos, testificam sua perícia como pessoas que usam os recursos ecológicos. Eles não procuram a união de amor com a natureza unicamente por causa de sua atitude holística e de reverência para com a natureza (embora essa atitude seja profunda e penetrante). Os polinésios se esforçam para viver em harmonia, respeitando a natureza, porque, como disse um homem: "Vamos além de nós mesmos ao sermos íntegros com tudo o mais. Não procuramos nenhuma experiência mística extraordinária fora de nós mesmos, mas nos limitamos a nos sentar diante do mar e a sermos nós mesmos com ele. Eis como nos unimos a Deus".

A palavra transcendência às vezes é usada na psicologia moderna, mais especificadamente pelos psicólogos transpessoais. Na psicologia, a transcendência por vezes se refere a uma dimensão além da experiência comum. A abordagem oceânica da transcendência aceita-a como uma imersão cotidiana em tudo o que a existência comum tem para oferecer. A transcendência dos polinésios considera Deus não como "lá em cima" ou "lá", mas como "em" tudo e todos. Não se trata de um objeto pessoal, mas de um modo de vida partilhada.

A transcendência dos polinésios que traz o prazer saudável não é uma busca da iluminação pessoal, mas envolve um momento para estar com alguém que amamos. Não é uma técnica da nova era, mas uma ternura por parte das pessoas quanto a viver. Não envolve tanto escalar a montanha para procurar a sabedoria, mas sobretudo andar de mãos dadas ao longo de uma senda tranqüila na montanha em companhia de alguém mais para partilhar a glória do presente como dádiva fundamental da natureza.

 

 

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