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Postado por Prashanto em 11/03/2009

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                                                                 Meditação é Não-fazer
 
 
 
               " Quando as pessoas vêm a mim e perguntam "Como meditar?". eu respondo: " Não é preciso perguntar como meditar, apenas pergunte como permanecer não-ocupado, isso é tudo.Este é o truque da meditação: como permanecer não-ocupado. Assim, você não pode fazer nada. E a meditação florescerá.
               Quando você não está fazendo coisa alguma, a energia se move na direção do centro, ela se assenta na direção do centro. Quando você está fazendo alguma coisa, a energia se move para fora. O fazer é um modo de se voltar para fora. O não-fazer é um modo de se voltar para dentro. A ocupação é uma fuga. Você pode ler a bíblia, pode tornar isso uma ocupação. Não há diferença entre as ocupações religiosas e as ocupações seculares: todas são ocupações, e o ajudam a se manter preso do lado de fora do seu ser. São desculpas para se permanecer do lado de fora.
                O homem é ignorante e cego, e quer permanecer ignorante e cego, porque olhar para dentro é como entrar num caos. E é assim mesmo: dentro, você criou um caos. Você tem de encontrar esse caos e atravessá-lo. É preciso coragem - coragem para ser você mesmo e coragem para se voltar para dentro. Não conheço nada que exija tanta coragem quanto isso - a coragem de ser meditativo.
                Mas as pessoas que são comprometidas com o lado de fora - ocupadas com as coisas mundanas ou coisas não mundanas, mas ocupadas do mesmo modo - pensam... e criam uma boataria em torno disso; elas têm os seus próprios filósofos. Elas dizem que se você é introvertido, você é de certa forma doente, que há algo de errado com você. E elas são a maioria. Se você está meditando, se você se senta em silêncio, elas o ridicularizam: "O que está fazendo? Olhando para o umbigo? O que você está fazendo? Abrindo o terceiro olho? Para onde está indo? Você está deprimido?... porque... o que há para fazer aí dentro? Não há coisa alguma aí."
                Para a maioria das pessoas não existe nada do lado de dentro, existe apenas o lado de fora. E a verdade é justamente o oposto - somente o interior é real; o exterior é apenas um sonho. Mas eles consideram os introvertidos melancólicos, consideram os meditadores melancólicos. No Ocidente, as pessoas acham que o Oriente é um pouco melancólico. Qual é o sentido de se ficar sentado sozinho olhando para dentro? O que você vai conseguir com isso? Não há coisa alguma lá.
                David Hume, um dos grandes filósofos ingleses, tentou certa vez... ele estava estudando os Upanishads*( *Tratados de tradição hinduista sobre filosofia e meditação ) e lá eles sempre dizem:" vá para dentro, vá para dentro, vá para dentro..." - essa é a sua única mensagem. Então ele tentou. Um dia, ele fechou os olhos - um homem totalmente leigo, muito lógico, empírico, mas de algum modo meditativo - ele fechou os olhos e disse: "Isso é tão enfadonho! É entediante olhar para dentro. Os pensamentos passam e, às vezes,passam algumas emoções; e eles vão passando rápido pela mente e você continua a olhar para eles - qual o sentido disso? É inútil. Não tem nenhuma utilidade."
                E essa é a compreensão de muitas pessoas. O ponto de vista de Hume é o da maioria. O que você conseguirá lá dentro? Há escuridão, devaneios aqui e ali... O que você fará? O que resultará disso? Se Hume tivesse esperado um pouco mais... - e isto é difícil para pessoas como ele - se ele tivesse sido um pouco mais paciente, os pensamentos pouco a pouco desapareceriam, as emoções se amainariam. Mas se isso tivesse acontecido com Hume, ele teria dito: "É ainda pior, porque se segue um vazio. Antes, pelo menos havia pensamentos, algo com que se ocupar, para o que olhar, em que pensar. Agora até mesmo os pensamentos desapareceram; apenas um vazio... O que fazer com isso? Totalmente inútil."
                Mas se ele tivesse esperado um pouco mais, então a escuridão também desapareceria. É igual a quando você vem do sol quente e entra em casa: tudo parece escuro porque seus olhos precisam de tempo para se acostumar. Eles ficaram impregnados com o sol quente lá fora; comparativamente, sua casa parece escura. Você não pode ver, tem a impressão de que é noite. Mas você espera, senta-se, descansa numa cadeira, e depois de alguns segundos seus olhos se adaptam. Agora não está escuro, há um pouco mais de luz, não existe escuridão.
                Se Hume tivesse esperado um pouco mais, a escuridão também desapareceria. Como você vive do lado de fora, sob o sol quente, durante muitas vidas, seus olhos se tornaram imóveis, perderam a flexibilidade. Precisam se ajustar.Quando você vem para dentro de casa, leva um tempo, um pouco de tempo... certa paciência. Não tenha pressa.
                 Com pressa ninguém pode conhecer a si mesmo. Essa é uma longa e profunda espera. É preciso uma paciência infinita. Pouco a pouco, a escuridão desaparece. Surge uma luz que não tem uma fonte. Não há chama, não há lâmpada acesa, não há sol. Uma luz como a do alvorecer: a noite foi embora e o sol ainda não surgiu... Ou a do entardecer - o crepúsculo, quando o sol se pôs e a noite ainda não caiu. É por isso que os hindus chamam o seu momento de oração de sandhya, que significa crepúsculo, luz sem qualquer fonte.
                 Quando você se volta para dentro, chega a essa luz sem qualquer fonte. Nessa luz, pela primeira vez, você começa a compreender a si mesmo, quem é você, porque você é essa luz. Você é esse crepúsculo, esse sandhya, essa pura claridade, essa percepção em que o observador e o observado desaparecem e apenas a luz permanece."
        
 
 
                                  Osho, Meditação - A fonte da felicidade e da juventude

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