A atuação destas duas forças cósmicas, primevas, pouco a pouco foi tornando-se assunto de filósofos e psicólogos. Freud abordou –as chamando-as de “pulsõesda vida e da morte.”
Transcrevo alguns trechos de um ensaio de Nahman Armony que tambémtem uma visão do tema parecida com a minha:
.”Estamos diante de Eros, a pulsão de vida a tecer sua rede, unindo células individuais em corpos maiores numa atividade sem fim. Eros, de corpo escancarado para os estímulos, incluindo-os em sua matéria, perene transmutação. Eros-hólons, organizações individuais que se reúnem em organismos maiores sem perder sua individualidade. Eros, a raiz das complexificações, das sínteses, dos agrupamentos. Eros, idéia que atravessa as várias possibilidades de manifestação da matéria/energia dando sentido a uma gama variada de acontecimentos, desde aqueles promovidos pelas forças de atração da matéria inanimada (força da gravidade, forças eletromagnéticas etc.) até aqueles dependentes de sentimentos humanos gregários, tais como o amor, a sexualidade, o carinho, a solidariedade, etc.
Estamos diante de Thanatos, a pulsão de morte. Pensamos então em uma individualidade fusionada com a absoluta imobilidade do todo da natureza-mater, penetrada por um cosmos indiferenciado, dissolvida no universo; um indivíduo desativado, apassivado, entregue, desindividualizado. Estamos diante de paz, tranqüilidade, morte, indiferenciação, nirvana. A natureza inerte chama-o para o seu seio; a Grande-Mãe apaziguadora protege-o, embala-o e desintegra-o em seu corpo magno-magnífico. Os braços acalentadores da mulher amada tranqüilizam-no, trazendo-lhe confortos calmosos. Thanatos, pulsão de morte, a grande igualadora e pacificadora, a desintegradora que conduz à indiferenciação. Thanatos que, mais que repulsão, é entropia, tendência ao pagamento de todas as diferenças.
Pensadas a partir da sensibilidade, pulsão de vida e pulsão de morte apresentam semelhanças e diferenças. Semelhança na tendência à integração no Todo e diferença na forma de realização da integração; na pulsão de vida cada elemento conserva sua individualidade e na pulsão de morte perdem-se os limites diferenciadores das individualidades.
Nos tempos imemoriais havia uma matéria inanimada . Forças cósmicas agindo sobre esta matéria, dividiram-na, individualizaram-na e deram-lhe vida. Era, porém uma vida muito precária que logo retornava ao inanimado (pulsão de morte). Só aos poucos se foi fixando na matéria aquilo que pode ser chamado de pulsão de vida, uma tendência a manter e ampliar a vida adquirida. Esta pulsão de vida, de início tão frágil, acaba por se afirmar diante da pulsão de morte, deixando de ser mero acidente para ganhar o estatuto de Ser Subsistente, igualando-se à pulsão de morte. No plano metacosmológico a pulsão de vida independentiza-se de pulsão de morte. ”
“Se a substância inanimada ao se transformar em viva foi estilhaçada em pequenas individualidades, se essas pequenas individualidades se transformaram em organismos complexos transferindo o “instinto de reunião” (Eros ou pulsão de vida) para as células germinais, e se a pulsão de vida contida agora nas células germinais busca recuperar a Totalidade primeva, então pulsão de vida e pulsão de morte são duas idéias intimamente imbricadas que, neste momento, se miscigenam.”
O carbono em nossas células, o oxigênio na atmosfera, o silício nas rochas e nos microprocessadores, o ferro no sangue e em máquinas - quase todos os átomos mais pesados que o hidrogênio e o hélio - foram criados no interior de antigas estrelas e dispersos pelo universo quando elas explodiram há bilhões de anos.”.